Livro de Maria Lucia Santos, lançado pela Editora Zouk
SOBRE A OBRA: A obra analisa a transformação que acontece na área de Educação. A autora parte do pressuposto de que a Era Digital chegou para atender às exigências de um mundo globalizado. Deste modo, é necessária uma avaliação da trajetória que o educador disposto a se atualizar com essas novas tecnologias será obrigado a trilhar.
O primeiro capítulo traz uma retrospectiva histórica do surgimento da escola, para fazer um contraste com o panorama atual do mundo da tecnologia. Já no segundo e no terceiro capítulo, a autora trata das inovações tecnológicas na educação e discute o que é ser um professor na era digital. O quarto capítulo é reservado ao programa ProInfo (Programa Nacional de Informática na Educação), do Ministério da Educação brasileiro, e tem como objetivo a reflexão da finalidade desse projeto para as escolas. Na conclusão da obra há uma retrospectiva do processo completo da pesquisa da autora.
A obra visa repensar o desenvolvimento do educador e das escolas, devido às constantes inovações tecnológicas. Segundo o livro, os educadores e as escolas são agentes fundamentais para a formação de novas gerações para o futuro.
De acordo com a autora:
"Estamos num momento especial na história da Educação, num ínterim entre o giz e o computador. Essa transição gera expectativas, impõe novas posturas para se organizar e gerenciar uma escola, uma sala de aula, pessoas. É importante re-situar as funções do professor, de seu trabalho no tempo, aproveitando suas experiências, frutos de uma história, e que indicam a necessidade de se adotar novas posturas para que as mudanças sejam emergentes do mundo sejam acompanhadas. A adoção de novas posturas pertence a todos que estão comprometidos com a ação educativa".
Maria Lúcia Santos é pedagoga e psicopedagoga, mestre em Educação, consultora e palestrante na área educacional e do desenvolvimento pessoal e profissional.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Como utilizar as tecnologias educacionais na escola
Há um consenso de que devemos trabalhar com as tecnologias em prol da educação. O que não se definiu ao certo é o como...
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Desde que o computador “colocou” os pés na escola, nos anos 1980 e 1990, que o dilema permanece... Desde Papert com seu Logo até os dias atuais de blogs e sites que se busca uma resposta exata.
Já vivemos a época da Informática terceirizada, em que empresas levam à nossa escola “uma solução completa”. Passamos pelos softwares educativos, os de autoria, pela necessidade de capacitação dos docentes e, cá estamos nós, ainda discutindo...
Não tenho uma resposta definitiva, porém, pelas vivências e experiências destes últimos 15 anos dedicados ao estudo das tecnologias educacionais, acredito que os recursos digitais contemporâneos devem ser introduzidos na escola de acordo com o projeto pedagógico.
Devem propiciar momentos de aprendizagem, com base nos conteúdos curriculares, nas necessidades específicas dos grupos, nos temas de pesquisas propostos... E não soltos pelo ar...
Vamos perceber as diferenças entre o uso integrado ao projeto pedagógico e outro meio “de qualquer jeito”:
Modelo 1
Uma professora de língua portuguesa decide fazer um blog com os alunos. Dá um tema qualquer e orienta que cada aluno deve fazer o seu.
Depois acessa cada um, corrige eventuais erros ortográficos e gramaticais, e pronto.
Modelo 2
Uma escola realiza a leitura de um livro por bimestre. Em vez de indicar um livro, a professora disponibiliza 10 títulos aos alunos. Para que ela possa acompanhar o trabalho, bem como os colegas, sugere que os alunos montem um blog sobre sua escolha literária. Orienta sobre alguns itens que são essenciais ao trabalho: mencionar ficha técnica do livro, escrever um sumário, descrição dos principais personagens, etc.
Os colegas que leram as mesmas obras podem contribuir uns com os outros e toda a turma deve acessar os blogs dos colegas de modo a conhecer outros livros.
Além da leitura propriamente dita, a docente trabalhou as questões da escrita, o trabalho de equipe, o gosto pela leitura, entre outros aspectos.
O modelo 2 é muito mais significativo, não?
Assim creio que a grande questão é utilizar as tecnologias para potencializar ações pedagógicas. E diria mais: entre usar “meia-boca” e não usar, prefiro não usar nada de tecnologias contemporânea e realizar um bom trabalho em sala de aula. O uso inadequado de tais recursos não traz apenas prejuízos acadêmicos, mas rouba o bem mais precioso que o ser humano tem: o tempo!
Enfim, antes de ir ao Laboratório de Informática, é preciso inserir essa atividade no planejamento, contextualizá-la e torná-la significativa sob o ponto de vista educacional, e não apenas prazerosa...
Por Danielle Lourenço
04/05/2010
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Desde que o computador “colocou” os pés na escola, nos anos 1980 e 1990, que o dilema permanece... Desde Papert com seu Logo até os dias atuais de blogs e sites que se busca uma resposta exata.
Já vivemos a época da Informática terceirizada, em que empresas levam à nossa escola “uma solução completa”. Passamos pelos softwares educativos, os de autoria, pela necessidade de capacitação dos docentes e, cá estamos nós, ainda discutindo...
Não tenho uma resposta definitiva, porém, pelas vivências e experiências destes últimos 15 anos dedicados ao estudo das tecnologias educacionais, acredito que os recursos digitais contemporâneos devem ser introduzidos na escola de acordo com o projeto pedagógico.
Devem propiciar momentos de aprendizagem, com base nos conteúdos curriculares, nas necessidades específicas dos grupos, nos temas de pesquisas propostos... E não soltos pelo ar...
Vamos perceber as diferenças entre o uso integrado ao projeto pedagógico e outro meio “de qualquer jeito”:
Modelo 1
Uma professora de língua portuguesa decide fazer um blog com os alunos. Dá um tema qualquer e orienta que cada aluno deve fazer o seu.
Depois acessa cada um, corrige eventuais erros ortográficos e gramaticais, e pronto.
Modelo 2
Uma escola realiza a leitura de um livro por bimestre. Em vez de indicar um livro, a professora disponibiliza 10 títulos aos alunos. Para que ela possa acompanhar o trabalho, bem como os colegas, sugere que os alunos montem um blog sobre sua escolha literária. Orienta sobre alguns itens que são essenciais ao trabalho: mencionar ficha técnica do livro, escrever um sumário, descrição dos principais personagens, etc.
Os colegas que leram as mesmas obras podem contribuir uns com os outros e toda a turma deve acessar os blogs dos colegas de modo a conhecer outros livros.
Além da leitura propriamente dita, a docente trabalhou as questões da escrita, o trabalho de equipe, o gosto pela leitura, entre outros aspectos.
O modelo 2 é muito mais significativo, não?
Assim creio que a grande questão é utilizar as tecnologias para potencializar ações pedagógicas. E diria mais: entre usar “meia-boca” e não usar, prefiro não usar nada de tecnologias contemporânea e realizar um bom trabalho em sala de aula. O uso inadequado de tais recursos não traz apenas prejuízos acadêmicos, mas rouba o bem mais precioso que o ser humano tem: o tempo!
Enfim, antes de ir ao Laboratório de Informática, é preciso inserir essa atividade no planejamento, contextualizá-la e torná-la significativa sob o ponto de vista educacional, e não apenas prazerosa...
Por Danielle Lourenço
04/05/2010
domingo, 5 de setembro de 2010
O sentido da inclusão digital
O sentido da inclusão digital
Imagine dois cenários para o futuro do Brasil:
Beth Almeida
Cenário 1
Redução da diferença educacional e social, com a nova geração tendo maior consciência dos problemas e atuando na melhoria da qualidade de vida.
Cenário 2
Ampliação do abismo educacional e social, com aumento do contingente de pessoas sem condições para disputar postos de trabalho.
A diferença entre a melhor e a pior situação pode estar em uma expressão muito falada, mas pouco praticada: inclusão digital e social.
Esta é a visão da professora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, coordenadora do Projeto Gestão Escolar e Tecnologias desenvolvido em parceria com a Microsoft, e que está sendo realizado nas escolas da Rede Estadual de São Paulo.
“O acesso às tecnologias adquire sentido quando se consegue atribuir significado às informações e expressar-se por meio dessa tecnologia, utilizando-a para resolver problemas da própria vida”, destaca.
Doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, do Departamento de Ciência da Computação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acaba de lançar também o livro Inclusão Digital do Professor – formação e prática pedagógica (Ed. Articulação Universidade/Escola), que traz a tona discussões a respeito da prática pedagógica do professor no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Participou entre os dias 8 e 11 de setembro de 2004 da 47ª Conferência Internacional de Educação, e confirmou no encontro mundial o que intuitivamente já se imaginava: o acesso e uso das TICs é decisivo para o futuro de qualquer país.
Confira a seguir a entrevista de Beth Almeida:
O Brasil está muito atrás dos países mais desenvolvidos em relação ao uso de tecnologias aplicadas à educação?
Em relação à proposta inovadora de uso das TICs na educação não estamos atrasados. A diferença está na disponibilidade de equipamentos e principalmente de profissionais devidamente qualificados para preparar os professores. Por exemplo, há 15 anos, seria necessário muito esforço para disponibilizar equipamentos para capacitar, digamos, 50 educadores. Atualmente, a maioria das instituições brasileiras de formação dispõe de equipamentos para realizar essa preparação. Mas ainda faltam profissionais para atuar na formação dos professores. A adequada preparação de educadores exige muito mais recursos e tempo do que a aquisição de equipamentos.
Quais iniciativas a sra. destacaria como boas experiências no Brasil?
O Brasil possui excelentes experiências de uso educacional das TICs. Nosso maior problema continua sendo a incorporação das tecnologias às atividades de sala de aula e ao cotidiano dos sistemas de ensino. Temos experiências inovadoras, porém ainda estamos em fase de apropriação e disseminação.
Projetos bem-sucedidos em outros países podem ser adaptados ao Brasil?
Referências de outras experiências podem ser basilares para o trabalho brasileiro, assim como as experiências brasileiras podem ser reapropriadas por outros países, desde que sejam analisadas e contextualizadas a cada realidade.
O que chamou mais a sua atenção no Congresso da Unesco em Genebra?
A preocupação com o uso das TICs em sala de aula perpassou todas as apresentações e oficinas. Também ficou evidente que a incorporação das TICs ainda ocorre em situações específicas e não está disseminada pelos sistemas de ensino em distintas partes do mundo, mesmo quando existem equipamentos disponíveis. Mais uma vez, fica clara a importância de investir na formação de educadores.
Na prática, é viável implementar grandes políticas nacionais de uso das tecnologias ou as iniciativas pontuais geram melhores resultados?
Deve haver movimento nos dois sentidos, sendo que ambos se realimentam.
Em relação às escolas públicas e particulares no Brasil, há um abismo no uso das TICs em sala de aula?
Há um abismo na disponibilidade de recursos tecnológicos. Mas a incorporação concreta das TICs às atividades de sala de aula ainda acontece timidamente tanto em escolas públicas quanto particulares.
O que falta para que as TICs sejam, de fato, úteis aos professores, alunos e comunidade escolar?
É preciso maior investimento na formação continuada dos educadores e disponibilidade de equipamentos para todos com conexão de qualidade à Internet.
Quais as prioridades que os governos devem ter em relação ao uso de TICs nas escolas públicas?
Formação de educadores, entre professores e gestores, disponibilidade de equipamentos, conexão e pessoal de suporte, como é o caso do Programa Aluno-Monitor e de técnicos devidamente preparados.
De um lado existe a demanda tecnológica (aquisição, manutenção e atualização de hardware e software). De outro, a formação dos profissionais que vão lidar com a tecnologia e transmitir conhecimentos. Na visão da sra., onde reside a maior deficiência nas escolas públicas?
Todos esses aspectos caminham juntos e constituem enormes desafios a superar. A parceria entre diferentes instâncias do setor publico, bem como a participação da iniciativa privada podem impulsionar os avanços.
De que modo?
Definindo políticas públicas e garantindo recursos que permitam atuar em todas as dimensões simultaneamente. Já temos conhecimento produzido sobre como fazer a formação de educadores para a incorporação das TICs na sala de aula. A questão é que não se pode exigir que o professor o faça, quando ele mesmo não está inserido na cultura digital e somente tem acesso ao computador no momento da sua aula, juntamente com os alunos.
E qual o caminho para desenvolver a cultura digital?
É necessário interagir com a tecnologia, apreender suas principais propriedades e potencialidades para uso pedagógico. Isso não significa apenas facilitar a compra de computadores e ofertar curso técnico de informática aos professores. Trata-se de uma formação continuada que integra as dimensões de domínio tecnológico, prática pedagógica com o uso da tecnologia, teorias educacionais e gestão de espaços, tempos e recursos. O sentido da inclusão digital do aluno está inter-relacionado com o sentido da inclusão digital do professor, do gestor escolar e de todos que atuam na escola.
Imagine dois cenários para o futuro do Brasil:
Beth Almeida
Cenário 1
Redução da diferença educacional e social, com a nova geração tendo maior consciência dos problemas e atuando na melhoria da qualidade de vida.
Cenário 2
Ampliação do abismo educacional e social, com aumento do contingente de pessoas sem condições para disputar postos de trabalho.
A diferença entre a melhor e a pior situação pode estar em uma expressão muito falada, mas pouco praticada: inclusão digital e social.
Esta é a visão da professora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, coordenadora do Projeto Gestão Escolar e Tecnologias desenvolvido em parceria com a Microsoft, e que está sendo realizado nas escolas da Rede Estadual de São Paulo.
“O acesso às tecnologias adquire sentido quando se consegue atribuir significado às informações e expressar-se por meio dessa tecnologia, utilizando-a para resolver problemas da própria vida”, destaca.
Doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, do Departamento de Ciência da Computação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acaba de lançar também o livro Inclusão Digital do Professor – formação e prática pedagógica (Ed. Articulação Universidade/Escola), que traz a tona discussões a respeito da prática pedagógica do professor no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Participou entre os dias 8 e 11 de setembro de 2004 da 47ª Conferência Internacional de Educação, e confirmou no encontro mundial o que intuitivamente já se imaginava: o acesso e uso das TICs é decisivo para o futuro de qualquer país.
Confira a seguir a entrevista de Beth Almeida:
O Brasil está muito atrás dos países mais desenvolvidos em relação ao uso de tecnologias aplicadas à educação?
Em relação à proposta inovadora de uso das TICs na educação não estamos atrasados. A diferença está na disponibilidade de equipamentos e principalmente de profissionais devidamente qualificados para preparar os professores. Por exemplo, há 15 anos, seria necessário muito esforço para disponibilizar equipamentos para capacitar, digamos, 50 educadores. Atualmente, a maioria das instituições brasileiras de formação dispõe de equipamentos para realizar essa preparação. Mas ainda faltam profissionais para atuar na formação dos professores. A adequada preparação de educadores exige muito mais recursos e tempo do que a aquisição de equipamentos.
Quais iniciativas a sra. destacaria como boas experiências no Brasil?
O Brasil possui excelentes experiências de uso educacional das TICs. Nosso maior problema continua sendo a incorporação das tecnologias às atividades de sala de aula e ao cotidiano dos sistemas de ensino. Temos experiências inovadoras, porém ainda estamos em fase de apropriação e disseminação.
Projetos bem-sucedidos em outros países podem ser adaptados ao Brasil?
Referências de outras experiências podem ser basilares para o trabalho brasileiro, assim como as experiências brasileiras podem ser reapropriadas por outros países, desde que sejam analisadas e contextualizadas a cada realidade.
O que chamou mais a sua atenção no Congresso da Unesco em Genebra?
A preocupação com o uso das TICs em sala de aula perpassou todas as apresentações e oficinas. Também ficou evidente que a incorporação das TICs ainda ocorre em situações específicas e não está disseminada pelos sistemas de ensino em distintas partes do mundo, mesmo quando existem equipamentos disponíveis. Mais uma vez, fica clara a importância de investir na formação de educadores.
Na prática, é viável implementar grandes políticas nacionais de uso das tecnologias ou as iniciativas pontuais geram melhores resultados?
Deve haver movimento nos dois sentidos, sendo que ambos se realimentam.
Em relação às escolas públicas e particulares no Brasil, há um abismo no uso das TICs em sala de aula?
Há um abismo na disponibilidade de recursos tecnológicos. Mas a incorporação concreta das TICs às atividades de sala de aula ainda acontece timidamente tanto em escolas públicas quanto particulares.
O que falta para que as TICs sejam, de fato, úteis aos professores, alunos e comunidade escolar?
É preciso maior investimento na formação continuada dos educadores e disponibilidade de equipamentos para todos com conexão de qualidade à Internet.
Quais as prioridades que os governos devem ter em relação ao uso de TICs nas escolas públicas?
Formação de educadores, entre professores e gestores, disponibilidade de equipamentos, conexão e pessoal de suporte, como é o caso do Programa Aluno-Monitor e de técnicos devidamente preparados.
De um lado existe a demanda tecnológica (aquisição, manutenção e atualização de hardware e software). De outro, a formação dos profissionais que vão lidar com a tecnologia e transmitir conhecimentos. Na visão da sra., onde reside a maior deficiência nas escolas públicas?
Todos esses aspectos caminham juntos e constituem enormes desafios a superar. A parceria entre diferentes instâncias do setor publico, bem como a participação da iniciativa privada podem impulsionar os avanços.
De que modo?
Definindo políticas públicas e garantindo recursos que permitam atuar em todas as dimensões simultaneamente. Já temos conhecimento produzido sobre como fazer a formação de educadores para a incorporação das TICs na sala de aula. A questão é que não se pode exigir que o professor o faça, quando ele mesmo não está inserido na cultura digital e somente tem acesso ao computador no momento da sua aula, juntamente com os alunos.
E qual o caminho para desenvolver a cultura digital?
É necessário interagir com a tecnologia, apreender suas principais propriedades e potencialidades para uso pedagógico. Isso não significa apenas facilitar a compra de computadores e ofertar curso técnico de informática aos professores. Trata-se de uma formação continuada que integra as dimensões de domínio tecnológico, prática pedagógica com o uso da tecnologia, teorias educacionais e gestão de espaços, tempos e recursos. O sentido da inclusão digital do aluno está inter-relacionado com o sentido da inclusão digital do professor, do gestor escolar e de todos que atuam na escola.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Uso de meios digitais na educação pode melhorar aprendizagem
Ana Carolina Athanásio / Agência USP
A inclusão de recursos digitais em salas de aula ajuda a aumentar a comunicação entre estudantes e professores. Projetos desenvolvidos por meio de blogs e aulas interativas incentivam a maior participação dos alunos nas atividades escolares e proporcionam benefícios na aprendizagem. “Os alunos praticamente já nascem sabendo usar computadores e nada mais natural e importante do que os professores passarem a usar os recursos digitais para melhorar o aproveitamento da disciplina”, afirma a professora Lina Maria Braga Mendes.
O pouco uso de meios digitais na educação foi um dos motivos que fizeram com que Lina iniciasse sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Educação (FE) da USP, Experiências de fronteira: os meios digitais em sala de aula, sob orientação daprofessora Mary Julia Martins Dietzsch. “A utilização de mídias digitais poderia começar a partir do primeiro ano do ensino fundamental. Desde muito cedo as crianças têm contato com computadores em casa”, ressalta a pesquisadora.
Suas experiências começaram por meio da implementação de blogs em projetos desenvolvidos com turmas de ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo. “Há vários tipos de trabalho que o professor pode desenvolver com blogs. Podemos criar um blog de disciplina, em que o professor e alguns alunos teriam acesso à edição, há também o blog do professor, no qual só ele entra para publicar textos interessantes relacionados ao assunto da aula, além de manter contato com o aluno fora da sala, e ainda o blog de aluno, em que os estudantes publicam os trabalhos que realizam e o professor entra com comentários”, explica Lina.
Entre os principais benefícios dos meios digitais nas escolas estão o aumento do diálogo entre professores e alunos e a ampliação do espaço da sala de aula, já que o contato passa a ser também fora do horário escolar. Além disso, os recursos disponíveis nos computadores e na internet fazem com que os estudantes tenham mais prazer em assistir às aulas e interajam de modo mais efetivo.
“Quando saímos da sala de aula, que muitas vezes conta apenas com o giz e a lousa, e vamos para o computador já temos inicialmente o recurso da imagem e do movimento. É possível usar vídeo, áudio, fotografia e outros recursos para mostrar mais detalhes e curiosidades sobre o assunto estudado. Isso faz com que os alunos prestem mais atenção nas aulas e saiam do espaço imaginário, intangível, representado por um mapa de um livro, e adentrem o espaço real, visível no Google Earth, por exemplo”, explica a pesquisadora.
Barreira da linguagem
Apesar de os alunos terem crescido em frente aos computadores, Lina afirma que muitos têm dificuldades com a linguagem do mundo digital. “A experiência que tivemos com a leitura de adaptações literárias para a internet, por exemplo, foi um pouco complicada, pois os alunos – apesar de passarem horas a fio todos os dias na rede – não conhecem a linguagem do meio em que navegam e alguns acabaram não compreendendo sequer o enredo da obra”, diz.
Um ponto positivo do uso de meios digitais nas salas de aulas é mostrar aos estudantes as diferenças existentes em cada uma das linguagens que utilizamos. Segundo a pesquisadora, “a linguagem de um livro impresso é diferente daquela usada em um vídeo, por exemplo. Do mesmo modo, não podemos confundir o que é feito para o meio digital com o que se destina à publicação em papel. Muitas pessoas afirmam categoricamente que a linguagem de internet, com suas abreviações e símbolos, atrapalha a escrita, mas é preciso perceber que ela é apenas uma outra linguagem, destinada, portanto, a outras situações de uso que não as que acontecem na sala de aula. O aluno deve entender isso e utilizá-la apenas naquele meio.”
Dificuldades para professores
A iniciativa de usar blogs e outros recursos dos meios digitais na educação também tem seus entraves. Um deles é a dificuldade que o professor tem tanto em sua atualização quanto na disponibilidade de tempo. “Muitos professores ainda têm dificuldades em usar recursos básicos do computador, como Word e o Power Point. São recursos que poderiam ajudá-lo a criar uma aula diferente e a trazer novas informações”, garante Lina.
Tendo como pressuposto que todo o professor tem acesso a um computador, a pesquisadora salienta que outro problema para a implementação de aulas que utilizam os recursos digitais é a falta de remuneração para desenvolver projetos como esses. “Por mais que o professor queira levar meios digitais para as salas de aula, ele esbarra no problema do tempo gasto fora do horário escolar. A manutenção de um blog, por exemplo, demanda tempo de pesquisa, produção e criação de atividades, e não há incentivo financeiro ou um horário remunerado para essa prática”, explica.
Para a pesquisadora, mesmo sendo difícil a utilização dos meios digitais na educação é necessário que os professores fiquem atentos a esses novos recursos e aos benefícios que trazem ao aprendizado dos alunos. “O professor que dá aulas do mesmo jeito que teve aulas quando criança ou adolescente comete o erro grave de esquecer que é de outra geração”, alerta.
Mais informações: email linamendes@usp.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou blog http://fornodeletras.blogspot.com, com a pesquisadora Lina Maria Braga Mendes
A inclusão de recursos digitais em salas de aula ajuda a aumentar a comunicação entre estudantes e professores. Projetos desenvolvidos por meio de blogs e aulas interativas incentivam a maior participação dos alunos nas atividades escolares e proporcionam benefícios na aprendizagem. “Os alunos praticamente já nascem sabendo usar computadores e nada mais natural e importante do que os professores passarem a usar os recursos digitais para melhorar o aproveitamento da disciplina”, afirma a professora Lina Maria Braga Mendes.
O pouco uso de meios digitais na educação foi um dos motivos que fizeram com que Lina iniciasse sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Educação (FE) da USP, Experiências de fronteira: os meios digitais em sala de aula, sob orientação daprofessora Mary Julia Martins Dietzsch. “A utilização de mídias digitais poderia começar a partir do primeiro ano do ensino fundamental. Desde muito cedo as crianças têm contato com computadores em casa”, ressalta a pesquisadora.
Suas experiências começaram por meio da implementação de blogs em projetos desenvolvidos com turmas de ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo. “Há vários tipos de trabalho que o professor pode desenvolver com blogs. Podemos criar um blog de disciplina, em que o professor e alguns alunos teriam acesso à edição, há também o blog do professor, no qual só ele entra para publicar textos interessantes relacionados ao assunto da aula, além de manter contato com o aluno fora da sala, e ainda o blog de aluno, em que os estudantes publicam os trabalhos que realizam e o professor entra com comentários”, explica Lina.
Entre os principais benefícios dos meios digitais nas escolas estão o aumento do diálogo entre professores e alunos e a ampliação do espaço da sala de aula, já que o contato passa a ser também fora do horário escolar. Além disso, os recursos disponíveis nos computadores e na internet fazem com que os estudantes tenham mais prazer em assistir às aulas e interajam de modo mais efetivo.
“Quando saímos da sala de aula, que muitas vezes conta apenas com o giz e a lousa, e vamos para o computador já temos inicialmente o recurso da imagem e do movimento. É possível usar vídeo, áudio, fotografia e outros recursos para mostrar mais detalhes e curiosidades sobre o assunto estudado. Isso faz com que os alunos prestem mais atenção nas aulas e saiam do espaço imaginário, intangível, representado por um mapa de um livro, e adentrem o espaço real, visível no Google Earth, por exemplo”, explica a pesquisadora.
Barreira da linguagem
Apesar de os alunos terem crescido em frente aos computadores, Lina afirma que muitos têm dificuldades com a linguagem do mundo digital. “A experiência que tivemos com a leitura de adaptações literárias para a internet, por exemplo, foi um pouco complicada, pois os alunos – apesar de passarem horas a fio todos os dias na rede – não conhecem a linguagem do meio em que navegam e alguns acabaram não compreendendo sequer o enredo da obra”, diz.
Um ponto positivo do uso de meios digitais nas salas de aulas é mostrar aos estudantes as diferenças existentes em cada uma das linguagens que utilizamos. Segundo a pesquisadora, “a linguagem de um livro impresso é diferente daquela usada em um vídeo, por exemplo. Do mesmo modo, não podemos confundir o que é feito para o meio digital com o que se destina à publicação em papel. Muitas pessoas afirmam categoricamente que a linguagem de internet, com suas abreviações e símbolos, atrapalha a escrita, mas é preciso perceber que ela é apenas uma outra linguagem, destinada, portanto, a outras situações de uso que não as que acontecem na sala de aula. O aluno deve entender isso e utilizá-la apenas naquele meio.”
Dificuldades para professores
A iniciativa de usar blogs e outros recursos dos meios digitais na educação também tem seus entraves. Um deles é a dificuldade que o professor tem tanto em sua atualização quanto na disponibilidade de tempo. “Muitos professores ainda têm dificuldades em usar recursos básicos do computador, como Word e o Power Point. São recursos que poderiam ajudá-lo a criar uma aula diferente e a trazer novas informações”, garante Lina.
Tendo como pressuposto que todo o professor tem acesso a um computador, a pesquisadora salienta que outro problema para a implementação de aulas que utilizam os recursos digitais é a falta de remuneração para desenvolver projetos como esses. “Por mais que o professor queira levar meios digitais para as salas de aula, ele esbarra no problema do tempo gasto fora do horário escolar. A manutenção de um blog, por exemplo, demanda tempo de pesquisa, produção e criação de atividades, e não há incentivo financeiro ou um horário remunerado para essa prática”, explica.
Para a pesquisadora, mesmo sendo difícil a utilização dos meios digitais na educação é necessário que os professores fiquem atentos a esses novos recursos e aos benefícios que trazem ao aprendizado dos alunos. “O professor que dá aulas do mesmo jeito que teve aulas quando criança ou adolescente comete o erro grave de esquecer que é de outra geração”, alerta.
Mais informações: email linamendes@usp.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou blog http://fornodeletras.blogspot.com, com a pesquisadora Lina Maria Braga Mendes
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