quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ERA DIGITAL NA EDUCAÇÃO


O mundo globalizado exigirá do indivíduo várias condições para os novos conhecimentos. Portanto ressalto o conhecimento da informática indispensável, pois nesta atual revolução tecnológica que estamos vivendo, as pessoas são os elementos mais valorizados, basta transformar todas as informações em conhecimento.

É indispensável encorajar desde cedo uma atitude equilibrada e crítica em relação ao computador. Ele não deve ser visto como algo assustador ou complexo demais. Da mesma forma a informática educativa não deve ser encarada como solução para os problemas de ensino, mas sim como um meio que estimule e desenvolva as funções intelectuais dos alunos; sem limitar o treinamento dos professores ao uso de mais uma tecnologia, tornando-os meros repetidores de experiências que nada acrescentam de significativo à educação. O fundamental é que os professores apropriem criticamente as tecnologias descobrindo as possibilidades de utilização que elas colocam à disposição da aprendizagem do aluno, favorecendo dessa forma o repensar do próprio ato de ensinar. Assim, no processo ensino-aprendizagem o aluno não é mais um repositório de informações, muitas vezes difíceis de serem alcançadas em tempos passados, e sim um independente na busca de informações e da sua construção dos conhecimentos impostos pelas mudanças rápidas no mundo. Ainda que, o papel do professor deve ser não o de ensinar, mas o de ensinar, mas o de facilitar a aprendizagem, liberando a curiosidade do aluno, é que analiso a introdução do computador na escola de maneira que ela seja mais uma ferramenta, um recurso, ou seja, um mediador cultural na perspectiva em que a aprendizagem se dá na relação entre sujeito e o conteúdo a ser aprendido através de uma ponte entre os quais está o computador que pode facilitar ou dificultar tal processo.

A escola não poderá lidar apenas com informações prontas, acabadas, mas deverá preocupar-se mais com a capacidade do aluno aprender. O importante não é mais a quantidade de conhecimentos, mas o que esses conhecimentos possibilitam como degraus para as novas aprendizagens futuras. Assimilar o novo esteja ele relacionado às modificações da trajetória da vida pessoal ou profissional das pessoas exige mais do que um simples domínio de técnicas, é preciso construir e reconstruir padrões de comportamento através da compreensão do real sentido e importância na introdução de equipamentos no contexto escolar. Para obter êxito nesse processo é necessário que cada profissional envolvido tenha visão clara do sentido que as mudanças resultantes da adoção de tais novidades tecnológicas, cuja característica fundamental é proporcionar a construção de novas formas de ensinar-aprender. Não esquecendo em momento algum que qualquer programa com uma metodologia adequada pode ser um software educacional, é uma questão de criatividade e planejamento.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Do Giz à Era Digital

Livro de Maria Lucia Santos, lançado pela Editora Zouk

SOBRE A OBRA: A obra analisa a transformação que acontece na área de Educação. A autora parte do pressuposto de que a Era Digital chegou para atender às exigências de um mundo globalizado. Deste modo, é necessária uma avaliação da trajetória que o educador disposto a se atualizar com essas novas tecnologias será obrigado a trilhar.

O primeiro capítulo traz uma retrospectiva histórica do surgimento da escola, para fazer um contraste com o panorama atual do mundo da tecnologia. Já no segundo e no terceiro capítulo, a autora trata das inovações tecnológicas na educação e discute o que é ser um professor na era digital. O quarto capítulo é reservado ao programa ProInfo (Programa Nacional de Informática na Educação), do Ministério da Educação brasileiro, e tem como objetivo a reflexão da finalidade desse projeto para as escolas. Na conclusão da obra há uma retrospectiva do processo completo da pesquisa da autora.

A obra visa repensar o desenvolvimento do educador e das escolas, devido às constantes inovações tecnológicas. Segundo o livro, os educadores e as escolas são agentes fundamentais para a formação de novas gerações para o futuro.

De acordo com a autora:
"Estamos num momento especial na história da Educação, num ínterim entre o giz e o computador. Essa transição gera expectativas, impõe novas posturas para se organizar e gerenciar uma escola, uma sala de aula, pessoas. É importante re-situar as funções do professor, de seu trabalho no tempo, aproveitando suas experiências, frutos de uma história, e que indicam a necessidade de se adotar novas posturas para que as mudanças sejam emergentes do mundo sejam acompanhadas. A adoção de novas posturas pertence a todos que estão comprometidos com a ação educativa".

Maria Lúcia Santos é pedagoga e psicopedagoga, mestre em Educação, consultora e palestrante na área educacional e do desenvolvimento pessoal e profissional.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como utilizar as tecnologias educacionais na escola

Há um consenso de que devemos trabalhar com as tecnologias em prol da educação. O que não se definiu ao certo é o como...

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Desde que o computador “colocou” os pés na escola, nos anos 1980 e 1990, que o dilema permanece... Desde Papert com seu Logo até os dias atuais de blogs e sites que se busca uma resposta exata.

Já vivemos a época da Informática terceirizada, em que empresas levam à nossa escola “uma solução completa”. Passamos pelos softwares educativos, os de autoria, pela necessidade de capacitação dos docentes e, cá estamos nós, ainda discutindo...

Não tenho uma resposta definitiva, porém, pelas vivências e experiências destes últimos 15 anos dedicados ao estudo das tecnologias educacionais, acredito que os recursos digitais contemporâneos devem ser introduzidos na escola de acordo com o projeto pedagógico.

Devem propiciar momentos de aprendizagem, com base nos conteúdos curriculares, nas necessidades específicas dos grupos, nos temas de pesquisas propostos... E não soltos pelo ar...

Vamos perceber as diferenças entre o uso integrado ao projeto pedagógico e outro meio “de qualquer jeito”:
Modelo 1

Uma professora de língua portuguesa decide fazer um blog com os alunos. Dá um tema qualquer e orienta que cada aluno deve fazer o seu.

Depois acessa cada um, corrige eventuais erros ortográficos e gramaticais, e pronto.
Modelo 2

Uma escola realiza a leitura de um livro por bimestre. Em vez de indicar um livro, a professora disponibiliza 10 títulos aos alunos. Para que ela possa acompanhar o trabalho, bem como os colegas, sugere que os alunos montem um blog sobre sua escolha literária. Orienta sobre alguns itens que são essenciais ao trabalho: mencionar ficha técnica do livro, escrever um sumário, descrição dos principais personagens, etc.

Os colegas que leram as mesmas obras podem contribuir uns com os outros e toda a turma deve acessar os blogs dos colegas de modo a conhecer outros livros.

Além da leitura propriamente dita, a docente trabalhou as questões da escrita, o trabalho de equipe, o gosto pela leitura, entre outros aspectos.



O modelo 2 é muito mais significativo, não?

Assim creio que a grande questão é utilizar as tecnologias para potencializar ações pedagógicas. E diria mais: entre usar “meia-boca” e não usar, prefiro não usar nada de tecnologias contemporânea e realizar um bom trabalho em sala de aula. O uso inadequado de tais recursos não traz apenas prejuízos acadêmicos, mas rouba o bem mais precioso que o ser humano tem: o tempo!

Enfim, antes de ir ao Laboratório de Informática, é preciso inserir essa atividade no planejamento, contextualizá-la e torná-la significativa sob o ponto de vista educacional, e não apenas prazerosa...

Por Danielle Lourenço
04/05/2010

domingo, 5 de setembro de 2010

O sentido da inclusão digital

O sentido da inclusão digital

Imagine dois cenários para o futuro do Brasil:
Beth Almeida

Cenário 1
Redução da diferença educacional e social, com a nova geração tendo maior consciência dos problemas e atuando na melhoria da qualidade de vida.

Cenário 2
Ampliação do abismo educacional e social, com aumento do contingente de pessoas sem condições para disputar postos de trabalho.

A diferença entre a melhor e a pior situação pode estar em uma expressão muito falada, mas pouco praticada: inclusão digital e social.

Esta é a visão da professora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, coordenadora do Projeto Gestão Escolar e Tecnologias desenvolvido em parceria com a Microsoft, e que está sendo realizado nas escolas da Rede Estadual de São Paulo.

“O acesso às tecnologias adquire sentido quando se consegue atribuir significado às informações e expressar-se por meio dessa tecnologia, utilizando-a para resolver problemas da própria vida”, destaca.

Doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, do Departamento de Ciência da Computação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acaba de lançar também o livro Inclusão Digital do Professor – formação e prática pedagógica (Ed. Articulação Universidade/Escola), que traz a tona discussões a respeito da prática pedagógica do professor no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).

Participou entre os dias 8 e 11 de setembro de 2004 da 47ª Conferência Internacional de Educação, e confirmou no encontro mundial o que intuitivamente já se imaginava: o acesso e uso das TICs é decisivo para o futuro de qualquer país.
Confira a seguir a entrevista de Beth Almeida:

O Brasil está muito atrás dos países mais desenvolvidos em relação ao uso de tecnologias aplicadas à educação?

Em relação à proposta inovadora de uso das TICs na educação não estamos atrasados. A diferença está na disponibilidade de equipamentos e principalmente de profissionais devidamente qualificados para preparar os professores. Por exemplo, há 15 anos, seria necessário muito esforço para disponibilizar equipamentos para capacitar, digamos, 50 educadores. Atualmente, a maioria das instituições brasileiras de formação dispõe de equipamentos para realizar essa preparação. Mas ainda faltam profissionais para atuar na formação dos professores. A adequada preparação de educadores exige muito mais recursos e tempo do que a aquisição de equipamentos.

Quais iniciativas a sra. destacaria como boas experiências no Brasil?

O Brasil possui excelentes experiências de uso educacional das TICs. Nosso maior problema continua sendo a incorporação das tecnologias às atividades de sala de aula e ao cotidiano dos sistemas de ensino. Temos experiências inovadoras, porém ainda estamos em fase de apropriação e disseminação.

Projetos bem-sucedidos em outros países podem ser adaptados ao Brasil?

Referências de outras experiências podem ser basilares para o trabalho brasileiro, assim como as experiências brasileiras podem ser reapropriadas por outros países, desde que sejam analisadas e contextualizadas a cada realidade.

O que chamou mais a sua atenção no Congresso da Unesco em Genebra?

A preocupação com o uso das TICs em sala de aula perpassou todas as apresentações e oficinas. Também ficou evidente que a incorporação das TICs ainda ocorre em situações específicas e não está disseminada pelos sistemas de ensino em distintas partes do mundo, mesmo quando existem equipamentos disponíveis. Mais uma vez, fica clara a importância de investir na formação de educadores.

Na prática, é viável implementar grandes políticas nacionais de uso das tecnologias ou as iniciativas pontuais geram melhores resultados?

Deve haver movimento nos dois sentidos, sendo que ambos se realimentam.

Em relação às escolas públicas e particulares no Brasil, há um abismo no uso das TICs em sala de aula?

Há um abismo na disponibilidade de recursos tecnológicos. Mas a incorporação concreta das TICs às atividades de sala de aula ainda acontece timidamente tanto em escolas públicas quanto particulares.

O que falta para que as TICs sejam, de fato, úteis aos professores, alunos e comunidade escolar?

É preciso maior investimento na formação continuada dos educadores e disponibilidade de equipamentos para todos com conexão de qualidade à Internet.

Quais as prioridades que os governos devem ter em relação ao uso de TICs nas escolas públicas?

Formação de educadores, entre professores e gestores, disponibilidade de equipamentos, conexão e pessoal de suporte, como é o caso do Programa Aluno-Monitor e de técnicos devidamente preparados.

De um lado existe a demanda tecnológica (aquisição, manutenção e atualização de hardware e software). De outro, a formação dos profissionais que vão lidar com a tecnologia e transmitir conhecimentos. Na visão da sra., onde reside a maior deficiência nas escolas públicas?

Todos esses aspectos caminham juntos e constituem enormes desafios a superar. A parceria entre diferentes instâncias do setor publico, bem como a participação da iniciativa privada podem impulsionar os avanços.

De que modo?

Definindo políticas públicas e garantindo recursos que permitam atuar em todas as dimensões simultaneamente. Já temos conhecimento produzido sobre como fazer a formação de educadores para a incorporação das TICs na sala de aula. A questão é que não se pode exigir que o professor o faça, quando ele mesmo não está inserido na cultura digital e somente tem acesso ao computador no momento da sua aula, juntamente com os alunos.

E qual o caminho para desenvolver a cultura digital?

É necessário interagir com a tecnologia, apreender suas principais propriedades e potencialidades para uso pedagógico. Isso não significa apenas facilitar a compra de computadores e ofertar curso técnico de informática aos professores. Trata-se de uma formação continuada que integra as dimensões de domínio tecnológico, prática pedagógica com o uso da tecnologia, teorias educacionais e gestão de espaços, tempos e recursos. O sentido da inclusão digital do aluno está inter-relacionado com o sentido da inclusão digital do professor, do gestor escolar e de todos que atuam na escola.